o pior cego é o que não quer ver

Diz-se da pessoa que se recusa a ver o óbvio, o que está à sua frente. Obstinadamente nega-se a ver e enfrentar a verdade.
Conta-se que, em Nimes, França, pelo ano de 1647, na universidade local, o doutor Vincent de Paul D’Argenrt fez o primeiro transplante de córnea a um lavrador de uma aldeia próxima. Foi tido com um sucesso para medicina da época, excepto para o paciente, que mal consciencializou o que passou a ver ficou horrorizado com o mundo que via.
Afirmava, fora de si, que o mundo que imaginara durante toda a sua cegueira era muito diferente e melhor. Por isso suplicava ao doutor D’Argenrt que lhe arrancasse os olhos. O caso iria correr nos tribunais, de Nimes a Paris e haveria de chegar até ao Vaticano.

O operado acabaria por ganhar (pelo menos ser satisfeita a sua vontade) e, assim, entrou para a História e para a oralidade popular como o cego que não queria ver.
Outros houve, outros há…

 

 


(bem cego é quem muito vê por aro de peneira)

sem quartel

Não dar quartel, não deixar sossegar, descansar; guerra sem quartel, luta ou perseguição feroz, sem tréguas; pedir quartel, pedir protecção ou misericórdia.
Nos tempos mais remotos, os prisioneiros de guerra tinham apenas dois destinos: a morte ou a escravidão. A partir da Idade Média, em algumas regiões do globo, criou-se o costume de lhes ser facultada a possibilidade da liberdade, pelo resgate. Nesses casos, o vencedor das batalhas tinha, por isso, todo o interesse em poupar-lhes a vida, pois, sendo o prisioneiro considerado como parte integrante dos despejos da contenda, pertenciam a quem os aprisionava.
A importância do resgate, que se tornava mais ou menos considerável conforme a qualidade e o estatuto do prisioneiro, foi estabelecido (presume-se que inicialmente entre holandeses e espanhóis e, posteriormente, por todos os exércitos) que ele seria igual a um quarto (empregava-se, então, a expressão francesa quartier, de onde derivou a adaptação para a locução portuguesa) do soldo do prisioneiro.
Deste modo, quando o vencedor não pretendia resgatar o seu prisioneiro, recusava-lhe a sua oferta, de um quarto do seu pré, e daí, dizer-se que não dar quartel.

 

 

 

(arenega os grilhões inda que sejam d’oiro)