cada cabeça sua sentença

Outro aforismo de óbvia compreensão. De origem latina (Tot capita, tot sententiæ) que nos remete para Terêncio, dramaturgo e poeta romano (185 a.C.) que, no seu Phormio, coloca a frase na voz de um personagem Quot homines tot sententiæ (Cada homem cada sentença).
Mais tarde, Propércio escreveria coisa parecida Omnia non pariter rerum sunt omnibus apta (Todas as coisas não convêm igualmente a todos).
Variantes (idênticas ou próximas) do mesmo axioma também encontrámos em outros adágios como, p. ex., cada coisa em seu lugar, cada qual com a sua cruz, cada um é filho das suas obras, cada ovelha com a sua parelha, cada qual sabe onde lhe aperta o sapato e, ainda, estas afins, mal pensa quem não repensa, pensa muito, fala pouco e escreve menos, pensar não é saber tal como olhar não é ver.

.

 

 

(de pensar morreu um burro, com freteiro, cangalha e tudo)

questões de lana caprina (ou coisas de)

Da ovelha e da cabra se costuma aproveitar, tal como do porco, bastante. No caso destas, ainda mais, o pêlo, que dá para fazer muita coisa que, de uma ou outra forma, serve para agasalhar as gentes do campo, contra os rigores das invernias.
No caso das cabras, com pêlo curto, a lã sempre foi muito menos valorizada do que a lã das suas congéneres ovelhas, muito mais pródigas em pêlo. Daí que, discutir por causa do pêlo de uma cabra era, por assim dizer, discutir por coisa de pouca valia.
Era discutir coisas, ou questões de lana caprina.
Que tem origem na locação latina rixari de lana caprina, isso mesmo, criar uma discussão por questões simples, sem importância de maior.
Quinto Horácio, da antiga Roma, escrevia (Epístolas, 1.18.15) alter rixatur de lana saepe caprina, ou seja, discute muitas acerca de pêlo de cabra, que é o mesmo que dizer discutir sobre coisas sem importância.

 

 

 

(o mais ruim do lugar porfia mais em falar)