qualquer que seja o delírio dos reis,
quem paga são os aqueus


Qualquer que seja o delírio dos reis, quem paga são os aqueus, com esta sentença, Horácio alude à briga entre Agamémnon e Aquiles, narrada no primeiro canto da Ilíada, que provocou tantas mortes entre os aqueus.
Assim, são sempre os súbditos que sofrem as consequências de todas as dissensões e loucura dos comandantes. Desta alocução acham-se várias referências, ao longo dos tempos. La Fontaine narra a fábula das rãs que assistem preocupadas à luta entre dois touros temendo, com razão, que o touro derrotado acabe por pisá-las.
Mesmo nas tradições proverbiais modernas encontramos, por exemplo, em alemão quando os senhores se engalfinham, os camponeses precisam de emprestar-lhes os cabelos ou, ainda, o russo enquanto os pastores se atacam, os lobos devoram as ovelhas.
Há um velho provérbio minhoto que diz, também a propósito, os fracos fazem penitência pelos pecados dos fortes.
Sempre existiram aqueus…

 

 

 

(pagar os açoutes ao verdugo)