a galinha (?) dos ovos de ouro

O aforismo assim vulgarmente conhecido, na verdade não corresponde à história que o origina.
De facto, o folclore de quase toda a Europa narra a história de uma gansa que, na sua primeira postura, pôs um ovo de ouro. O dono, estúpido e avarento, em vez de esperar novos ovos, matou a pobre gansa para extrair, na ocasião, tudo o que houvesse dentro dela.
Na adaptação para o imaginário português, a gansa passou a ser galinha, naturalmente por ser uma ave bem mais popular do que a da história original. Refira-se, a propósito, que há muitas variações desta história, envolvendo outros animais.
Uma delas é a de uma gansa, mas com penas de ouro, narrada pelos famosos irmãos Grimm.
De qualquer forma, em todas elas o sentido mantém-se inalterado: agir precipitadamente, com imprudência, impaciência, ganância, extinguindo de forma idiota uma fonte de renda constante, no afã de obter resultados imediatos.

 

 

 

 

(galinha pedrês não a comas, não a vendas, nem a dês)

o homa dos ovos

-É mulher, frita-me um ovo!
-É nã, homa, sã muita caros.
-Se no me fritas um ovo, morro.
-Um inda to frito, mas mai não.
-Ai, mulher, frita-me dois, sanã morro.
-Dois indo tos frito, mas mai nã.
-Ai, mulher, frita-me três, senã morro.
A mulher no quis e o homa morreu. Foram-no interrar e cando ia acaije ò pé de Sant’António, a mulher com rimorso foi lá cima da barrêra e gritou:
-É homa, alevanta-te e come-os todos!
O povo intendeu qu’era prós comer a eles e fugiram todos.

(contado por Ana Manivensa, de Monsanto, concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, em 1955; publicado em ‘Contos Populares Portugueses’)

 

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