quem com ferros mata, com ferros morre

com quem ferros mataEsta expressão é das mais vulgarizadas no nosso quotidiano; curioso que seja, também das menos interiorizadas.
Quem com ferros mata, com ferros morre estabelece um conceito de reciprocidade nas relações humanas.
Quem pratica o bem recebe o bem, quem pratica o mal receberá o mal.
Este postulado será, porventura, a regra básica mais antiga da sociedade humana, como tal. Porventura burilada, viria a dar no princípio filosófico ateniense de que o que fazemos pelos outros, para nós voltará algum dia.

Mais tarde, na Bíblia, encontrar-se-ia um preceito semelhante: todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão (Mateus 26:52).
Igualmente salutar me parece uma outra enunciação que diz quem com ferros mata não morrerá na cama. Mas como nunca dispo a minha pele minhota dou preferência a uma tese defendida por estas bandas, com quem ferros mata, há-de morrer como os grilos: com os cornos espetados no chão e de cu para o ar.

 

 


(pica-me Pedro, picar-te-ei cedo)

empáfia (contar, meter ou usar uma)

Expressão muito antiga, por isso já quase esquecida, empáfia (empófia ou embófia) era uma palavra usada por cafres e mouros, nas terras de Sofala, na costa de Melinde e em outras paragens do Indico.
Empáfia queria dizer embuste, trapaça, marosca ou arrazoado sem fundamento com o objectivo de usurpar o bem alheio.
Foram muito conhecidas as empáfias, especialmente em Mombaça, onde era regra que qualquer galinha de mouro que entrasse em terreiro de cristão, não era mais do mouro.
Se calhava ele a ir pedir, o cristão logo lhe respondia que se a galinha fora até ali, é porque queria ser cristã e, por isso, não tinha nada que lha restituir.
Era com galinhas, mas também era o mesmo se fossem cabras ou porcos.
Se o cristão passasse pela porta do mouro e, por acaso, tropeçasse e daí lhe houvesse qualquer dano, o mouro teria de o pagar, oferecendo-lhe animais de criação, arroz ou, até, roupas.
Na Etiópia Oriental, de Frei João dos Santos, refere que em cada povoação destas mora um governador, ou capitão, posto pela mão do rei e que tem jurisdição para julgar as empáfias e outras demandas dos cafres da sua povoação.

 

 

 

(não é só nos anos que estão os enganos)