fazer uma sangria

Este era um vocábulo usado na gíria, muito comum nos meados do século passado, especialmente nos locais de má fama, que designava o acto de extorquir dinheiro de forma ardilosa ou por meio fraudulento.
Fulano deu hoje uma sangria ao pai; arrancou-lhe duas notas de cem. Ou seja: numa apropriação eufemística e satírica do correcto significado do termo, tirou-lhe um pouco de sangue, fez-lhe uma sangria.
Pedro Vidoeira, no seu livro Ambições de Cortesã, tem uma ilustração perfeita da gíria neste diálogo:
(…) Deixa lá! O ‘urso’ não vem, mas venho eu no seu lugar…
– Não pega, não insistas! Quero cá o ‘urso’ hoje, porque preciso dele para lhe fazer uma sangria…
– Uma sangria? Mas porquê?…
– Vi ontem, na rua do Ouro, uns brincos de brilhantes muito catitas e hei-de ir amanhã ao Ginásio com eles. (…)
(ver sangria desatada)

 

 

 

(um engano feito de afeição, é mais brando
que um vestido de Bragança
)