calcanhar de Aqulies

Se é verdade que não há quem não saiba a significação da frase, não é menos verdade que não há quem não tenha o seu calcanhar de Aquiles, ou seja, um ponto fraco, um factor de vulnerabilidade no qual possa ser mais certeiramente atacado com êxito.
Esta elocução tem origem na história de Aquiles, um dos heróis do cerco de Tróia.
A mãe, Tetis, quando ele era criança, e por favor dos deuses, para que ele fosse invulnerável, mergulhou-o nas águas do Styge. No entanto, Aquiles ficaria vulnerável no calcanhar, pois teria sido por ali que a mãe o segurara e, desse modo, o fadado rio não o pôde abranger totalmente com as suas águas milagrosas.
Acabaria por ser ali, no calcanhar, que Páris o haveria de ferir, um dia, com uma flecha envenenada.
(ver calcanhar de Filoctetes)

 

 

(fraqueza não é vício, mas conduz ao precipício)

quantos foram libertados, na Bastilha?…

Sete!…
Na França, o dia 14 de Julho, dia da Bastilha, é feriado e, ao mesmo tempo, um símbolo da glória nacional.
Se olharmos para as inflamadas ilustrações e pinturas dos acontecimentos desse dia, podemos pensar que centenas, talvez milhares, de revolucionários orgulhosos, inundaram as ruas, gritando, cantando, empunhando bandeiras tricolores. A verdade porém é que na altura, o assalto à Bastilha saldou-se pela libertação de cerca de meia dúzia de prisioneiros…
A Bastilha foi tomada de assalto a 14 de Julho, há 233 anos. Pouco tempo depois, gravuras macabras de prisioneiros definhados, quase à beira de esqueletos, acorrentados e imundos, eram vendidas nas ruas de Paris, criando assim a impressão generalizada das condições no interior da Bastilha.
A Bastilha, uma fortaleza erguida no século XIII, havia sido prisão durante séculos; na época de Luís XVI, albergava principalmente pessoas detidas por ordem do rei ou seus ministros, quer por ofensas, por conspiração e subversão. Entre eles, em 1718, esteve Voltaire, que lá escreveu toda a sua obra Édipo.
Mas, voltando aos sete prisioneiros que a Revolução libertou: quatro deles eram falsificadores, mais o Conde de Solanges (detido, segundo os autos, por ‘má conduta íntima’), e dois loucos, um dos quais inglês (ou irlandês, nunca se soube exactamente) chamado Whyte, que exibia uma barba até à cintura, e assegurava ser a encarnação de Júlio César.
No ataque à prisão perderam-se centenas de vidas, incluindo a do governador, cuja cabeça foi passeada pelas ruas, espetada numa lança. Os guardas da cadeia eram um contingente de invalides – soldados dispensados do serviço normal, por invalidez – e as condições, ao contrário do que comummente é tido como aceite, eram bastante confortáveis para a maioria dos presos, com aposentos mobilados e horários de visitas bem generosos. Jean Fragornard, em 1785, pintou um esboço de um dia de visita mostrando senhoras passeando no pátio com prisioneiros, fumando, rindo e acompanhados com animais de estimação.
Jean François Marmontel, preso entre 1759 e 1761, escrevia que o vinho não era excelente, mas bebia-se. Não havia sobremesa porque era necessário ser-se privado de alguma coisa. E terminava com um…  Mas, no geral, comia-se bem, na Bastilha.

No seu diário, Luís XVI, referindo-se ao dia da tomada da Bastilha, pode ler-se, escrito pelo seu punho Rien (nada)…

Luis XVI referia-se ao saco da caçada desse dia.