quantos foram libertados, na Bastilha?…

Sete!…
Na França, o dia 14 de Julho, dia da Bastilha, é feriado e, ao mesmo tempo, um símbolo da glória nacional.
Se olharmos para as inflamadas ilustrações e pinturas dos acontecimentos desse dia, podemos pensar que centenas, talvez milhares, de revolucionários orgulhosos, inundaram as ruas, gritando, cantando, empunhando bandeiras tricolores. A verdade porém é que na altura, o assalto à Bastilha saldou-se pela libertação de cerca de meia dúzia de prisioneiros…
A Bastilha foi tomada de assalto a 14 de Julho, há 233 anos. Pouco tempo depois, gravuras macabras de prisioneiros definhados, quase à beira de esqueletos, acorrentados e imundos, eram vendidas nas ruas de Paris, criando assim a impressão generalizada das condições no interior da Bastilha.
A Bastilha, uma fortaleza erguida no século XIII, havia sido prisão durante séculos; na época de Luís XVI, albergava principalmente pessoas detidas por ordem do rei ou seus ministros, quer por ofensas, por conspiração e subversão. Entre eles, em 1718, esteve Voltaire, que lá escreveu toda a sua obra Édipo.
Mas, voltando aos sete prisioneiros que a Revolução libertou: quatro deles eram falsificadores, mais o Conde de Solanges (detido, segundo os autos, por ‘má conduta íntima’), e dois loucos, um dos quais inglês (ou irlandês, nunca se soube exactamente) chamado Whyte, que exibia uma barba até à cintura, e assegurava ser a encarnação de Júlio César.
No ataque à prisão perderam-se centenas de vidas, incluindo a do governador, cuja cabeça foi passeada pelas ruas, espetada numa lança. Os guardas da cadeia eram um contingente de invalides – soldados dispensados do serviço normal, por invalidez – e as condições, ao contrário do que comummente é tido como aceite, eram bastante confortáveis para a maioria dos presos, com aposentos mobilados e horários de visitas bem generosos. Jean Fragornard, em 1785, pintou um esboço de um dia de visita mostrando senhoras passeando no pátio com prisioneiros, fumando, rindo e acompanhados com animais de estimação.
Jean François Marmontel, preso entre 1759 e 1761, escrevia que o vinho não era excelente, mas bebia-se. Não havia sobremesa porque era necessário ser-se privado de alguma coisa. E terminava com um…  Mas, no geral, comia-se bem, na Bastilha.

No seu diário, Luís XVI, referindo-se ao dia da tomada da Bastilha, pode ler-se, escrito pelo seu punho Rien (nada)…

Luis XVI referia-se ao saco da caçada desse dia.

 

 

 

greve (estar ou fazer)

A origem deste vocábulo é genuinamente francesa, considerando o seu sentido claro na interrupção voluntária do trabalho.
Na verdade, a actual Place de l’Hôtel-de-Ville chamava-se, até 1806, a Praça de Grève, local que começou por ser uma praça onde costumavam descarregar as mercadorias que chegavam a Paris. Rapidamente o local ganha uma dimensão maior e, assim, torna-se centro de confluência de muitos trabalhadores.
Surge, então, o hábito de ali se reunirem os operários sem trabalho e assim, permanentemente, passa a existir uma feira de contratos de trabalho. Estar na Praça de Grève, ou estar em Grève significava, na altura, não ter trabalho, estar desempregado, mas à procura de trabalho.
Com o evoluir dos tempos o conceito modificou-se e, assim, estar em Grève, ou, com o mesmo sentido, fazer greve tornou-se sinónimo de cessar voluntariamente o trabalho, agora por exigências relacionadas com os direitos que lhe são inerentes.

Refira-se, como curiosidade, que foi nesta praça, no decurso da Revolução Francesa, onde foi utilizada a guilhotina, pela primeira vez.

 

 

 

(por nada, ninguém faz nada)