guarda-chuva

A invenção do guarda-chuva (ou chapéu-de-chuva...) ou do guarda-sol, remonta a tempos antiquíssimos e, curiosamente, nos seus primórdios, as pessoas serviam-se dele mais como sinal de dignidade e poder, do que como meio de se resguardarem do sol ou da chuva.
A Tartária, a Pérsia e a China foram os primeiros locais onde se usou; tal como em Marrocos, onde só o Imperador tinha direito de se cobrir com ele. Na Itália, depois em França, começaram a aparecer nos finais do século VII, e é provável que daí os tivéssemos herdado, embora que não haja um absoluto consenso sobre isso, já que são poucas as referências à forma e ao tempo em que eles se foram vulgarizando pela Europa. Sabe-se, isso sim, que os guarda-chuvas, hoje de finos tecidos, antigamente eram fabricados de couro ou oleado.
A propósito de guarda-chuvas, num antigo exemplar do extinto Jornal do Porto, lia-se o seguinte trecho, tão prosaico quanto jocoso:
(…) Em algumas aldeias de Portugal é o guarda-chuva um traste de luxo e de etiqueta, como a casaca e a gravata o são nas cidades.
Nunca algum Romeu de tamancos, acudiu ao prazo dado ao amor, que não levasse um suspiro para saudar a bela e um guarda-sol, de ponteira de latão, para lhe escrever garatujas no chão.
Matrimónio também ninguém o contrai, na maior parte das freguesias do Minho, sem ter um capote forrado de baeta verde e um avantajado guarda-chuva de doze varas. Com esses dois objectos vai o noivo para a igreja, entre os parentes e amigos, preparado para receber a esposa como quem fosse receber uma tempestade (…).
Como quem fosse receber uma tempestade?!
Ora, já vi comparações piores, já!…