guarda-chuva

A invenção do guarda-chuva (ou chapéu-de-chuva...) ou do guarda-sol, remonta a tempos antiquíssimos e, curiosamente, nos seus primórdios, as pessoas serviam-se dele mais como sinal de dignidade e poder, do que como meio de se resguardarem do sol ou da chuva.
A Tartária, a Pérsia e a China foram os primeiros locais onde se usou; tal como em Marrocos, onde só o Imperador tinha direito de se cobrir com ele. Na Itália, depois em França, começaram a aparecer nos finais do século VII, e é provável que daí os tivéssemos herdado, embora que não haja um absoluto consenso sobre isso, já que são poucas as referências à forma e ao tempo em que eles se foram vulgarizando pela Europa. Sabe-se, isso sim, que os guarda-chuvas, hoje de finos tecidos, antigamente eram fabricados de couro ou oleado.
A propósito de guarda-chuvas, num antigo exemplar do extinto Jornal do Porto, lia-se o seguinte trecho, tão prosaico quanto jocoso:
(…) Em algumas aldeias de Portugal é o guarda-chuva um traste de luxo e de etiqueta, como a casaca e a gravata o são nas cidades.
Nunca algum Romeu de tamancos, acudiu ao prazo dado ao amor, que não levasse um suspiro para saudar a bela e um guarda-sol, de ponteira de latão, para lhe escrever garatujas no chão.
Matrimónio também ninguém o contrai, na maior parte das freguesias do Minho, sem ter um capote forrado de baeta verde e um avantajado guarda-chuva de doze varas. Com esses dois objectos vai o noivo para a igreja, entre os parentes e amigos, preparado para receber a esposa como quem fosse receber uma tempestade (…).
Como quem fosse receber uma tempestade?!
Ora, já vi comparações piores, já!…

 

 

com pés de barro

Colosso com pés de barro é o enunciado completo que, geralmente, serve variados sujeitos.
De origem bíblica, colosso era o nome vulgarmente dado pelos gregos às estátuas de deuses, de proporções fora de comum. A principal era a de Apolo, conhecida como Colosso de Rhodes.

No seu uso comum diz-se de uma pessoa cujo poder repousa numa base frágil.
É uma alusão à estátua que apareceu, em sonhos, a Nabucodonosor e que Daniel, no seu Livro, capítulo II, versículos 31 a 34, interpreta da seguinte forma: ‘Eis aqui, ó Rei, o que haveis visto: uma grande estátua, de uma altura extraordinária, de pé diante de vós, com aspecto assustador. Sua cabeça era de ouro puro, seu peito e seus braços de prata, seu ventre e suas coxas de bronze, suas pernas de ferro, a parte superior dos pés também de ferro e a parte inferior de barro.’
Uma pequena síntese histórica:

O Colosso de Rodes, provavelmente construído entre 300 e 270 a.C., teria uma existência efémera já que um terramoto ocorrido em 224 a.C. destruiu a descomunal estátua. Os habitantes de Rodes não se atreveram a reconstrui-la por saberem  que o  Oráculo de Delfos havia indicado que a destruição do colosso significava que o deus do Sol, Hélio, a quem a construção pretendia homenagear teria ficado em fúria exactamente com a oferta. Os destroços da estátua – nos seus 70 côvados (32 metros) de altura , feita de ferro e bronze, uma das sete maravilhas do mundo – ficaram espalhados no local, ignorados por toda a gente.
Mais tarde, os árabes que conquistaram a ilha, venderam todos os pedaços da estátua a um mercador fenício que os teria carregado em quase mil camelos.
Uma engraçada referência final: em 2015, um grupo de profissionais ligados ao turismo, tentou aliciar patrocinadores com a ideia de reconstruir a estátua, desta vez  com 150 metros de modo a albergar um museu e salas de espectáculos. O megalómano projecto não resistiu à crise financeira grega.

 

 

 

 

(a soberba nunca desce donde sobe porque sempre cai donde subiu)