para que tudo se alimpe

Eu varri a minha testada‘ anexim a retorquir ao outro ‘alimpe cada qual a sua testada‘, usados quando se degladiavam acusações, mexericos, maledicências e difamações.
Agora que tanto se fala no Decreto-Lei qualquer-coisa de 2006, mai-lo outro de 2009 e as notas, comunicados, avisos e participações daqui, dali e dacolá, talvez venha a propósito recordar este velho aforismo alentejano, já de provecta idade, pois que, coisa menos coisa, rondará a bonita soma de quase 350 anos.
Derivam estes aforismos, exactamente das obrigações desses tempos, impostas pelas câmaras, nas cidades e vilas, em que cada um devia limpar a sua testada (a parte de terreno que fica frente à sua propriedade ou casa) até meio da rua, estrada ou caminho, para que tudo se alimpe.
A rua será varrida de hua banda e da outra que se o contrario fizer, pagará çem reais para o Rendeiro ou para quem o acusar’, assim está escrito no Livro 2º das Posturas d’Elvas, de 1672.
Simples! E todo o cidadão ficava, assim, bem esclarecido.