as escusas na lei antiga

São interessantes e até curiosas algumas instruções hebraicas sobre as leis da guerra. Determinavam, por exemplo, que no dia da peleja, antes da batalha, cada chefe fosse à frente dos seus soldados e gritasse, de modo a que fosse ouvido:
‘Haja algum homem que tenha edificado uma casa nova e a não tenha estreado? Se há, vá-se embora e torne a sua casa: não suceda que morra e outro a estreie.
Há alguém que tenha plantado uma vinha e ainda não a tenha feito comum(1) para que todos possam comer dela? Vá-se embora e torne para sua casa; não suceda que morra na peleja, e faça outro o que a ele lhe competia.
Há alguém que tenha esposado uma mulher, e todavia a não a tenha ainda em seu poder? Se há, vá-se, e torne a sua casa; não suceda que morra na batalha, e algum outro homem a tome como sua.’
Singular este preceito que sustenta bastar que o homem seja recém-casado para ter escusa da guerra, conforme se lê no Capítulo 24º do Deuteronómio, v. 5º, que diz ‘O homem que for casado de pouco tempo não sairá à guerra, nem se lhe imporá cargo algum público; mas poderá sem culpa alguma estar descansado em sua casa, e passar um ano em alegria com a sua mulher’.
Apesar dos sorrisos que facilmente se adivinham, a verdade é que eles pecam por sobranceira e precipitada conclusão. É que, na verdade, hoje somos bem menos latifundiários nessas matérias, já naqueles recuadíssimos tempos dos Profetas, apesar de todas estas e outras escusas, na hora da refrega, uma última fala se fazia aos soldados: ‘Há aí algum medroso ou de coração tímido? Se há, vá-se, e volte para sua casa para que não faça desmaiar com o seu exemplo, os corações dos seus irmãos’…
Ai se fosse hoje!…

(1) todo o fruto da vinha no 4º ano era consagrado ao Senhor; depois disso, no 5º ano, tornava-se comum. Isto é, qualquer um podia entrar na vinha alheia e comer as uvas que tivesse na vontade; o que não podia era levá-las.

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