pisar o risco

A expressão passar o risco, passar do risco ou pisar o risco, significa, como sabemos, que se fez (ou congemina fazer…) qualquer coisa que não devia ser feita, praticar uma acção para além dos limites que, para isso, lhe estavam adstritos, ou reconhecidos.
A sua origem, provavelmente, é inglesa, remonta ao século XVII e às frequentes viagens dos membros da Corte ou da Coroa.
Quando os nobres saíam para a província, os chefes das suas guardas antecipavam as chegadas, tratando-lhes de todos os preparativos para as suas necessidades e acomodações e, entre esses afazeres, um deles era marcarem, com um risco de giz, todas as casas que deveriam ser desabitadas para a temporária ocupação pelos nobres que estavam para chegar.
Um conhecido e muito badalado exemplo disso foi a visita que, em 1683, Maria de Médicis fez a Inglaterra e, por isso, a ordem dada a chefe da Guarda Real para marcar com um risco todas as casas de Colchester, que fossem necessárias para a comodidade do seu séquito.
Na obra Vida e Factos de Sir William Wallace, menciona-se que, em Edimburgo, havia, também, o mesmo costume. Acrescentando-lhe, no entanto, outro cambiante: nessa cidade, os senhorios, quando desejavam desalojar os inquilinos, limitavam-se a marcar-lhes as portas das casas com um risco a giz!
Mais tarde, com a abolição deste tipo de absolutismo, o hábito manteve-se, porém, modificando-lhe o sentido. O risco já não era feito a giz, mas com cal e em frente às portas.
Era então, agora, proibido entrar, nas habitações assim marcadas, sem autorização do seu locatário ou proprietário. Outra variante do despotismo.

Deste modo, ninguém deveria pisar o risco ou, muito menos, passar (d)o risco!…

 

 

 

(qual mais qual menos, toda a lã é pêlos)