Vaticano

Admite-se que, provavelmente, a palavra terá passado do etrusco para o latim, funda-se em vates, cujo significado era o de adivinho ou profeta (curiosamente, na sua evolução semântica veio a dar vate, como sinónimo de poeta…), e em vaticinium, predição, oráculo.
Os romanos não tinham, como se sabe, deuses antropomórficos próprios. Cultivavam os poderes sobrenaturais a que não faziam corresponder quaisquer formas humanas. O Vaticano era uma das colinas de Roma, situada entre os montes Mário e Janículo, na margem direita do Tibre. Nela existiam vários oráculos, os Vaticinia. O mais concorrido ficou conhecido como o oráculo do monte Vaticano, mais tarde designado Vaticanus deus, o deus Vaticano que proferia previsões e era o protector dos primeiros sons vocais, da revelação da fala, dos recém-nascidos (interessante dizer-se que Cristianismo é a Palavra revelada!…).
A região foi ocupada por vinhas e vilas de nobres. Agripina, a Antiga, mulher de Germâncio viveu lá. Aí também Calígula edificou um circo e Nero, por herança da sua tia Domícia (por ele mandada assassinar) construiu o que viria a ser conhecido como os jardins de Nero. E é aí que, em 64 d.C., ele ordena o morticínio dos cristãos que acusara de incendiarem Roma. E é aí que, também pela mesma altura (talvez lendariamente, diga-se) foi crucificado São Pedro, cujo corpo acabaria enterrado perto do circo.
Em finais do século V, São Símaco, levanta no local uma modesta habitação que servia de estância de descanso para os papas que, então, viviam em Latrão. Depois da saída dos pontífices de Avinhão (cerca do século XII), o Vaticano começa a transformar-se naquilo que é hoje…
E assim, não deixa de ser curioso que a origem de uma das mais carismáticas palavras do Catolicismo, tenha a sua origem na mitologia pagã…

 

 

 

(é muito pouco se com Deus havemos)

custar os olhos da cara

Custar os olhos da cara é qualquer coisa que tem um preço exorbitante e que, por isso, exige um sacrifício muito grande.
A origem do postulado disseminou-se com a expansão da cultura romana. Plauto, um escritor romano, dos anos 200 a.C., referiu em alguns dos seus textos o costume de arrancar os olhos aos prisioneiros e, também – a relevância estará, provavelmente, neste aspecto – aos governantes que se mostraram indignos dos cargos.
Particularmente, no caso destes últimos, a bárbara sentença tinha uma explicação entendida como admissível: os condenados tinham tido influência, fosse política, social ou militar e, mesmo que sujeitos à humilhação da deposição do cargo e ao vexame da prisão, a verdade é que a sua influência não se extinguia totalmente.
Então, a mutilação tornava-os dependentes, limitados, frágeis e, por isso, incapazes de voltarem a ser perigosos.
Além disso, de modo bem vincado – e aqui está a medida inteira da frase – , o castigo tornava cruelmente evidente que o crime tinha um preço elevado: custava os olhos da cara!
Que tal?…
(ver vale tudo menos tirar olhos)

 

 

 

(os maus são os camaleões do rei)