ovelha ranhosa

O sentido atribuído à elocução – com alguma similitude com o de ovelha negra –   é qualificar alguém como incorrecto, abelhudo, mau carácter, traiçoeiro, velhaco ou, por extensão analógica, asqueroso, nauseabundo ou mesmo repulsivo. Por isso, quase sempre não aceite em grupo, social e até mesmo familiar. Até aqui, estamos de acordo.
Mas, com calma, digam-me cá: quaisquer destes elevados atributos, ou outros que se lhes comparem, o que poderão ter a ver com uma ovelha, porventura constipada, com algum descontrolo nasal?… Não liga, pois não?
Este é um dos curiosos exemplos de que, por vezes, a corruptela é mais uma acomodação figurativa do imaginário do que propriamente uma alteração provocada pelo hábito da fala. A expressão original refere ovelha ronhosa, o animal que contraiu ronha, uma espécie de sarna com características ainda mais purulentas, que ataca algumas espécies de animais, entre as quais o gado ovino. O desagradável aspecto de um animal doente teria dado azo à expressão. Porque as causas justificativas fossem de parco conhecimento geral ou, até, a imagem de uma ovelha ranhosa fosse mais fácil e apelativa, a adulteração pegou. Não que alguém ronhoso – cheio de ronha – não fosse, igualmente, adaptada, e bem, ao conceito que a frase encerra. Mas isso já são outros quinhentos.
De qualquer modo, ovelha ranhosa não tem, isso não, alguma coisa a ver com mucosidades que, só por si, apenas poderão ser pouco agradáveis à vista, claro…

 

 

 

(à ruim ovelha a lã lhe pesa)