ter para os alfinetes

A bem dizer, esta parémia, se aparentemente em desuso, nunca teve, me parece, tanto sentido como nos dias que correm. Adaptada às circunstâncias actuais, ela equivale a dizer-se ter dinheiro para (sobre)viver
Noutros tempos, os alfinetes eram adorno das mulheres e daí que, então, a frase significasse o dinheiro poupado para a sua compra. Isto porque os alfinetes eram um produto caro. Os anos passaram e eles tornaram-se utensílios, já não apenas de enfeite, mas utilitários, acessíveis e precisos.
Todavia a expressão, inclusive, chegou a ser utilizada em textos legais. Por exemplo, o Código Civil Português, aprovado por Carta de Lei de Julho de 1867, por D. Luís, dito da autoria do Visconde de Seabra, vigente em grande parte até ao Código Civil actual, incluía um artigo, o 1104, que dizia, textualmente: A mulher não pode privar o marido, por convenção antenupcial, da administração dos bens do casal; mas pode reservar para si o direito de receber, a título de alfinetes, uma parte dos rendimentos dos seus bens, e dispor dela livremente, contando que não exceda a terça dos ditos rendimentos líquidos.
Quem diria!…

 

 

 

(com nó fixo nunca se perde ponto)