estar à brocha

Estar à brocha, amiga Alexandra, tem razão quando considera que não é uma frase feita a partir de um jargão. De facto não é. A sua dúvida, no entanto, torna-se sem solução porque deriva de um pressuposto enviesado, consequente de um caso homófono; brocha e broxa. Broxa, sim, pincel de pintura grosseira ou de caiação, é que não parece – e não é – o miolo da origem deste dito que se crê de raiz nortenha. Daí a sua perplexidade (…) o que é que um pincel tem a ver com estar aflito? (…). 
Nesta caso, será, então, brocha. Que, é bom que se diga, tem várias significações: pode ser a lingueta que segura a roda, na extremidade do eixo, nos antigos carros de tracção animal; no Minho também é a correia ou tira de couro ou de pano que segura as tamancas ou os socos e – esta é que importa – é a correia de couro que liga a canga ao pescoço do boi.
Ora, qual é o sentido genérico da expressão? É, como sabemos, estar em aflições, em dificuldades, em quaisquer situações mais ou menos críticas ou angustiosas.
Estar à brocha é estar em circunstâncias de dificuldades psicológicas, mas também no meio de entaladelas físicas. Que é o caso dos bois quando acontecia terem de puxar os carros excessivamente carregados na parte traseira, o que originava que a correia (a brocha) que os cinge por baixo da barbela, esticando-se, lhes provocasse um tormentoso sufoco.
Ficavam à brocha!…
(ver estar à rasca)

 

 

 

(a carga bem se leva, a sobrecarga é que pesa)