de faca na liga

(andar) de faca na liga, expressão que, consensualmente, é conotada com o sexo feminino, refere uma dama turbulenta, dada ao reboliço, de vida esconsa, de amores e ciúmes explosivos.
Esta figura remonta ao imaginário do fado, dos mercados e das tabernas, da chinela no pé, xaile traçado, mão na anca e a voz que se estende ao pregão ou aos versos cantados à candeia sobre o pipo de vinho. Malhoa pintou-a, no seu O Fado.
Ela era a Adelaida da Facada, uma mulher de má vida, da Madragoa. O homem que dedilha a guitarra, é o Amâncio Pintor, que as mais das vezes está na choça.
Malhoa imortalizou o fado e a Adelaide, a da faca na liga

 

 

 

(negócio que não dá ganho e faca que não corta,
ainda que o diabo os leve, pouco importa)

vai para o diabo!…

A frase vai para o diabo, que se usa, com sentido depreciativo, em vários países, não teve, ao contrário do que poderá parecer, uma origem relacionada com o demónio ou qualquer outra coisa parecida. A história da evolução desta expressão – melhor dito, desta praga – parece ser esta:
Na Idade Média, havia em Londres, na Fleet Street, uma famosa taberna chamada The Diable and S. Dustan. Ignora-se por que razão tal estabelecimento se chamava assim, com o glorioso santo saxão a emparceirar com tão má companhia…
O facto é que até Sir Walter Scoot lhe faz bastantes referências nas suas obras. Com o andar dos tempos, instalaram-se à volta da taberna vários escritórios de advogados. E quando estes iam almoçar ou tomar uma bebida aquele local, era costume pôr à porta um cartão em que diziam aos clientes que os procurassem fui ao Diabo e S. Dustan. Mais tarde, com o uso e com o jeito peculiar dos ingleses para sintetizar tudo, passaram a indicar somente fui ao Diabo
A loja, no entanto, começou a ser mal frequentada e ir ao Diabo passou a ser tido como falta de decoro e respeitabilidade. Um advogado que fosse verdadeiramente um cavalheiro, por isso, não deveria ir ao Diabo. E, se lhe diziam que fosse lá, é porque o entendiam indigno de conviver com cavalheiros. A frase popularizou-se, passou para o continente e, mais tarde, o sentido alterou-se para o que tem hoje.
E quando não queremos que alguém nos incomode, mandámo-lo ir para o Diabo, sem termos a noção que este Diabo começou por ser uma simples taberna…
Coisas do Diabo…

 

 

 

 

(apanhou-se o diabo com botas, correu a vila toda)