bater a(s) bota(s)

Esticar o pernil, dar o couro às varas, ir desta para melhor, ir para o jardim das tabuletas, quinar, bater a caçoleta, ou… bater as botas.
Seja qual for a sentença, todas vão dar ao mesmo: à morte. Esta, bater as botas – já que as outras se poderão entender figurativas de um acto que está conotado com a morte – parece ter uma origem um tanto enviesada. E será, se considerarmos que a prova é tão difícil quão discutível. Mas, crê-se, terá tido um começo militar.
Um soldado ao dirigir-se a um seu superior fá-lo sempre numa posição de sentido e, para se retirar, dará um passo enérgico à retaguarda, perfilado dá meia volta e, para iniciar o afastamento, bate as botas nos calcanhares e segue depois de bater com ambos os pés (as botas) no chão.
Ora, se este ritual serve de metáfora, é assim que partimos desta vida, batendo as botas
Sem exemplo, uma referência a outra língua:
When did the old guy kick the bucket? (quando é que o velho chutou o balde?).
Chutar o balde é uma gíria que, obviamente, tem o mesmo significado de qualquer das expressões acima: morrer. Mas porquê… chutar o balde? Duas interpretações me parecem ter verosimilhança: na origem talvez a palavra bucket venha do francês antigo buquet e que era o nome dado ao suporte usado para pendurar um porco pelos pés para o matar. Aí a primeira origem (no momento de enfiar a faca no bucho do porco, ele chutava literalmente a viga) é admissível para quem já presenciou uma matança do porco; a outra explicação, mais comezinha, seria que o infeliz suicida fica em pé em cima do balde virado ao contrário quando enfia a corda no pescoço. Depois, chuta o balde.

 

 

 

(quem morre pelo rei nunca mais o torna a ver)