perder o tempo e o latim

tempo e latimA origem desta popular locução está bem descrita em Bâtons Rompus, de Marianne Maurer, uma colectânea destinada ao ensino da língua francesa e que contém uma curiosa explicação para a expressão. A léria é, mais ou menos, assim:
Augusto, vitorioso numa guerra, regressado a Roma, recebe no seu palácio um homem com um papagaio ensinado. Dizia o bicho: Salve, César Invicto! O imperador, encantado, comprou-o por alto preço. Logo apareceu outro homem, agora com uma pega, que igualmente falava: Salve, Augusto, vencedor glorioso! Claro que também a pega foi comprada por boa maquia.
Então, um sapateiro quis ensinar coisa parecida a um corvo. Mas a empreitada tornou-se um fiasco; o corvo não ia lá de modo nenhum! E o sapateiro, com tamanhas dificuldades, queixava-se a toda a hora: Não adianta! Estou a perder o meu tempo e o meu latim! Porém, tanto perseverou que por fim o corvo lá aprendeu umas palavritas lisonjeiras. E foi, o sapateiro, lesto, ao palácio. O corvo grulhou umas sílabas, mas o Imperador não estava nos melhores dias: Chega de tanta adulação! Não compro mais pássaro algum!… Naquele instante, recordando subitamente as palavras vezes sem conta repetidas pelo desanimado sapateiro, o corvo gritou: Não adianta! Estou a perder o meu tempo e o meu latim! Augusto riu e comprou o corvo por um preço bem maior do que havia pagado pelas outras aves…

 

 

 

 

(com dinheiro, língua e latim, vai-se do mundo até ao fim)