pensar na morte da bezerra

Diz-se de quem está triste, sorumbático, de fisionomia cerrada, sem aparente razão ou motivo que se descortine. Daí que seja comum, então, a pergunta, em tom ligeiro: Que tens? Estás a chorar a morte da bezerra?…
Parece que a origem desta locução remonta ao tempo das perseguições religiosas contra os sefarditas, em Portugal, na Idade Média. Como se sabe, os judeus louvam e seguem incondicionalmente a Tora, como chamam ao Pentateuco. Então…
Adoradores de Thora, ou da tourinha, ou da bezerra, tudo é um, e a tourinha, como a serpe, era um dos espantalhos que acompanhavam a procissão do Corpus Christi. Seria, pois, a morte da bezerra a consagração fanática dos autos-de-fé, dizem vários escritos antigos. É, de facto, uma explicação conjectural bastante curiosa.
Em inglês há uma expressão aproximada, mas sobre a morte de uma égua. Quando uma pessoa está pesarosa, pergunta-se whose mare’s dead? (morreu a égua de quem?); até Shakespeare usou essa expressão, em Henrique IV, quando, na primeira cena do segundo acto, faz Falstaff perguntar How now? Whose mare’s dead? What’s the matter?… (E então? Morreu a égua de quem? Que é isso?).
Bezerra ou égua, as mais das vezes, não é caso disso!…
(ver andar embiocada)

 

 

 

 

(a pensar morreu o burro, com freteiro, cangalhas e tudo)