greve (estar ou fazer)

A origem deste vocábulo é genuinamente francesa, considerando o seu sentido claro na interrupção voluntária do trabalho.
Na verdade, a actual Place de l’Hôtel-de-Ville chamava-se, até 1806, a Praça de Grève, local que começou por ser uma praça onde costumavam descarregar as mercadorias que chegavam a Paris. Rapidamente o local ganha uma dimensão maior e, assim, torna-se centro de confluência de muitos trabalhadores.
Surge, então, o hábito de ali se reunirem os operários sem trabalho e assim, permanentemente, passa a existir uma feira de contratos de trabalho. Estar na Praça de Grève, ou estar em Grève significava, na altura, não ter trabalho, estar desempregado, mas à procura de trabalho.
Com o evoluir dos tempos o conceito modificou-se e, assim, estar em Grève, ou, com o mesmo sentido, fazer greve tornou-se sinónimo de cessar voluntariamente o trabalho, agora por exigências relacionadas com os direitos que lhe são inerentes.

Refira-se, como curiosidade, que foi nesta praça, no decurso da Revolução Francesa, onde foi utilizada a guilhotina, pela primeira vez.

 

 

 

(por nada, ninguém faz nada)

vir com as mãos a abanar

Na primeira metade do século passado, no tempo das colheitas – especialmente no Alentejo – havia uma considerável imigração de trabalhares, chegados de todo o país.
Eles deveriam trazer as suas ferramentas para o trabalho. Aqueles que lá chegassem sem elas, ou seja, de mãos a abanar, davam a indicação de que não vinham muito dispostos a um trabalho sério.
Daí que vir com as mãos a abanar é, duplamente, não trazer nada: nem ferramentas nem vontade. Assim, generalizou-se que chegar de mãos a abanar, é não trazer nada ou, de um modo mais abrangente, não ter nada para oferecer.

(ver Inquisição)

 

 

 

(o pobre quando mete a mão no bolso só tira cinco dedos)