os negócios que o império tece(u…)

Quando o Marquês de Pombal andava empenhado na sua (pessoal) campanha contra os jesuítas, a dada altura entendeu escrever uma carta (confidencial) ao embaixador português m Roma, D. Francisco d’Almeida e Mendonça, dando-lhe instruções sobre as diligências que devia tomar para conseguir do Papa a extinção da Companhia.

O meio mais eficaz, escrevia o ladino Marquês, era ‘observar quais os cardeais e pessoas de maior importância para este negócio, comprando-as por todos os modos que forem possíveis, porque enfim é muito melhor e muito mais barato fazer aos inimigos a guerra com dinheiro, do que com exércitos armados’.
E, acrescentava o previdente (ePombal providente) Marquês:

Aqui se acham mais de cem mil cruzados empregados em prata nobremente lavrada em Paris, em porcelanas da Saxónia e o mais que também se junta. Duvido porém do modo com que se possa fazer a passagem destas peças de Lisboa para Roma, sem que se perceba quem as manda, e sem que se saiba quem as recebe. Sempre contudo irei mandando algumas comissões para Génova, debaixo de nome de mercador a outro de sua confiança, dizendo-lhe que indo de França para aquele porto de Génova, vieram a este arribados, e que os guarde até segundo aviso. O que assim disposto, mandarei depois os avisos do mesmo mercador, levando em branco os nomes das pessoas a cuja ordem deverão entregar as encomendas, para que pareçam suas, e não mandadas de presente. Também poderei com aviso a V. Senhoria, mandar-lhe algumas porções de diamantes brutos, para os mandar lapidar quem aí os receber, mandando-me V. Senhoria dizer se hão-de servir para cruzes, peitorais, anéis, ou para outras obras. Por agora lhe remeto quatro anéis capazes de se poderem oferecer para ganhar, ou principiar a fazer a boca doce a alguns amigos. São estes das maiores e melhores pedras que se acharam nas partidas que vieram do Brasil no ano passado, e todas foram lapidadas nesta corte’.
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A carta, cujos excertos aqui transcrevo, apenas adaptando-os para a grafia actual, foi escrita em 1756.
De então para cá parece evidente ter mudado (muito) pouca coisa…