empáfia (contar, meter ou usar uma)

Expressão muito antiga, por isso já quase esquecida, empáfia (empófia ou embófia) era uma palavra usada por cafres e mouros, nas terras de Sofala, na costa de Melinde e em outras paragens do Indico.
Empáfia queria dizer embuste, trapaça, marosca ou arrazoado sem fundamento com o objectivo de usurpar o bem alheio.
Foram muito conhecidas as empáfias, especialmente em Mombaça, onde era regra que qualquer galinha de mouro que entrasse em terreiro de cristão, não era mais do mouro.
Se calhava ele a ir pedir, o cristão logo lhe respondia que se a galinha fora até ali, é porque queria ser cristã e, por isso, não tinha nada que lha restituir.
Era com galinhas, mas também era o mesmo se fossem cabras ou porcos.
Se o cristão passasse pela porta do mouro e, por acaso, tropeçasse e daí lhe houvesse qualquer dano, o mouro teria de o pagar, oferecendo-lhe animais de criação, arroz ou, até, roupas.
Na Etiópia Oriental, de Frei João dos Santos, refere que em cada povoação destas mora um governador, ou capitão, posto pela mão do rei e que tem jurisdição para julgar as empáfias e outras demandas dos cafres da sua povoação.

 

 

 

(não é só nos anos que estão os enganos)