bambochata

No linguajar mais popular, este termo significa pagode, patuscada, folguedo, funçanata ou troça. Curiosa (diria, até, inusitada) é a sua origem…
Nascido na Holanda (embora haja quem o diga flamengo), por volta de 1580 ou 1590, o pintor Peter Van Laar viveu grande parte da sua vida em Itália (viria a falecer em 1644), onde ficou conhecido pela alcunha de Bamboccio. De baixa estatura e corcunda, o epíteto assentava-lhe bem, visto que bamboccio era o diminutivo de bambo (menino), que se aplicava aos bonifrates ou bonecos de arames.
Bamboccio tornou-se célebre pelas suas telas que representavam, na sua maioria, cenas burlescas de festança popular, tainada ou reinação, plenas de grotesco, com tonalidades bem fortes e vincadas. Estas pinturas de Bamboccio passaram a ser conhecidas bambochatas, nome que dai se generalizou, por extensão, para designar qualquer rambóia ou folia, especialmente rural.
Diga-se a este propósito, que o pintor Domingos Sequeira (1768-1837) era exímio em improvisar interessantes desenhos sobre qualquer assunto que lhe apresentassem e que ele designava por bambochatas. Dizia uma crónica da época: ‘Numa folha de papel pintavam vários pontos com o bico de uma pena e, disparatadamente se lhe dizia o que havia de fazer de cada um daqueles pontos: este vai ser um olho, aquele um nariz, o outro um pé… Ele pegava o carvão e improvisava o que se lhe pedia, fazendo uma bambochata...’.
Existe, no Museu de Arte Antiga de Lisboa, um quadro de Bamboccio, intitulado Interior de uma taberna.
(ver grotesco)

 

 

 

(entre couve e couve, alface)