virote

Virote será uma das peças que compõem a balestilha (um instrumento de navegação, que serve para determinar a latitude; muito usado pelos portugueses de Quinhentos). O virote, que roda sobre o eixo principal, e a soalha são as peças essenciais deste instrumento.
Virote, continuando na linguística náutica, também pode referir cada uma das peças que, de alto a baixo, formam o remate de uma embarcação.
Virote numa espada é o ferro atravessado sobre os copos e que se estende, um pouco, para fora.
Em 1712, o Vocabulário de Português e Latim refere que segundo Duarte Nunes de Leão, havia tomado do latim Verutum, que quer dizer ferro longo e agudo, e entre nós virote também é seta curta, ou dardo, e se diz de várias castas de paus e ferros agudos.
Daqui não parece descabido achar a origem para pôr tudo num virote, a significar grande azáfama, agitação, imprimir velocidade a alguma coisa ou alguém, dizer olhar pelo virote quando se refere que é preciso cuidado, cautela ou precaver-se, e andar num virote a explicar uma desusada agitação, pressa ou muita ocupação. Da mesma forma que, genericamente, virote, a supor todo e qualquer tipo de arremesso, mais ou menos traiçoeiros ou, ainda, teso (duro) como um virote, a ver imitação ou conformidade com paus, ferros, varapaus, fueiros ou o que imaginar mais afim…
(Sempre se fartou a impiedade na inocência, que tão cheios vão os caminhos de virotes ouriçados, D. Francisco de Portugal em Prisões e Solturas, 1709)
Neste virote de postulados e sugestões é só escolher.

 

 

 

(de rabo de porco nunca é bom virote)