o primeiro milho é dos pardais

pardalEste adágio pretende minimizar os aparentes maus começos de qualquer actividade, incutindo confiança nos resultados futuros.
Não parece, aqui, haver dúvidas de que a origem – talvez será melhor dito escrever no plural -, convergem nesse sentido.
De acordo com a Mitologia romana era costume lançar aos pássaros os primeiros frutos da colheita; homenageavam-se os deuses, de quem as aves eram dignitários preferidos.
Na Idade Média, na tradição judaica e cristã, esse costume manteve-se (alterando-se) no hábito de ofertar à igreja ou ao templo os primeiros frutos das colheitas (as primícias).

 

 


(passarinhos e pardais não são todos iguais)

levar as lampas

levar as lampas
Esta locução – que já foi muito popular – significa ficar com vantagem sobre alguém.
A explicação, curiosa e com uma alusão humorística à mistura, é a seguinte: lampo é sinónimo de temporão (que vem antes de tempo).
Assim, entre outros, figos lampos são os primeiros que aparecem, tal como peras lampas, ou simplesmente lampas as perinhas de S. João, que são também as mais temporãs.
Daqui vem a ideia da precedência e, por associação, a de vantagem que anda ligada á locução aludida.
A parte interessante é que, lê-se numa crónica da época, por ocasião da campanha do Alentejo, na Guerra da Restauração, em 1663, João d’Áustria, filho de Filipe IV e general em chefe do exército espanhol, disse que tencionava vir colher as lampas a Portugal no dia de S. João. Remata o cronista escrevendo que enganou-se, porém nas previsões, porque no dia 8 de Junho, portanto dezassete dias antes do S. João, foi derrotado na batalha de Ameixial (ou do Canal) pelo Marquês de Marialva.

Afinal foi o general português que levou as lampas

 

 

 

(esteja a pêra na pereira e não apodreça,
não faltará tempo de haver quem a mereça
)