são favas contadas

Adágio vulgar para significar que o resultado de qualquer coisa é algo tão esperado quanto previsível. Provavelmente a sua origem virá do uso romano em utilizar esta leguminosa, seca, para efectuar operações aritméticas ou, habitual e importante, usar nas votações.
Neste caso, ao votante, eram distribuídas duas favas de cor diferente, normalmente uma branca e outra preta. Fava que o mesmo depositava numa bolsa ou numa arca, onde se misturava com os restantes votos de aprovação ou negação, consoante fosse a contagem posterior das favas brancas em contraponto com as negras.
Eram as… favas contadas.
Este modelo de votação, com a variante de serem usadas bolas de cores distintas, ainda hoje é usado em algumas decisões de grupo ou assembleia onde se pretenda preservar o total anonimato da votação.
Falando em favas, ainda há quem se lembre da expressão até vir a mulher da fava-rica. Especialmente em Lisboa, até bem dentro do século XX, por muitas ruas, logo pela manhã, se ouviam os pregões olha a fava riiiiiiiica!, que anunciava a chegada de uma boa e quente sopa de fava, feita com azeite e alho.
Quem já madrugara, aprontando-se para mais um dia de faina, por vezes chegava a exasperar com a espera por aquele apetitoso conforto para o estômago. Daí que se tenha vulgarizado a expressão de ficar à espera até vir a mulher da fava-rica.
(ver ir à fava… outra vez e a fava no bolo-rei)

 

 

 

(menina e vinha, peral e faval, guardam-se mal)

ostracismo


A complementar o último texto publicado (quo vadis?…), refira-se que durante a longa liderança de Péricles (mais de trinta anos) na consolidação da democracia, derrubado que foi o tirano Hípias, os atenienses procuraram arranjar maneira de evitar que uma nova tirania voltasse a Atenas.
Assim nasceu o Ostracismo. Parece ter sido Clístenes quem primeiro utilizou essa forma institucional da democracia ateniense para banir (ostracizar, do grego ostrakón).

Uma vez por ano, cada ateniense tinha uma oportunidade de usar o seu voto, cujo objectivo não era eleger, mas sim expulsar alguém.
Podiam escrever o nome de um político que, em seu entender, se estivesse a tornar perigosamente poderoso para o bem do estado ou, simplesmente, se mostrasse seguidor dos velhos preceitos da tirania. A votação era feita em pedaços de cerâmica, por escrutínio secreto; quando se verificasse um total de seis mil votos (isso evitava que um cidadão fosse vítima do capricho de qualquer líder político que desejasse exilar um membro da comunidade) e algum homem tivesse a maioria, era forçado a sair da cidade e permanecer afastado de Atenas por dez anos.
Considerava-se o ostracismo uma prática civilizada, pois evitava-se a execução do apontado conspirador contra os deveres democráticos. Os seus familiares não sofriam qualquer dano e se fosse necessário ficariam sob a protecção do Estado. Cumpridos que fossem os dez anos de degredo, era acolhido de volta.
Entendia-se, assim, que tinha decorrido o tempo suficiente para ter aprendido a não sucumbir à sedução de atentar contra a democracia.