tempos do tempo

O tempo é uma teia na qual eu sou simultaneamente a aranha e a mosca

O tempo sem pôr tempo vay correndo
sem tempo não se vão as cousas vendo,
por tempo o tempo vay profetizando.
Do tempo o tempo só pode ir fallando
que o tempo mostra o tempo que vay sendo,
com o tempo vão se os tempos entendendo,
que o tempo vários tempos vay mostrando.
Nunca o tempo perdido he mais cobrado
que se o tempo nos tira o que é presente,
mal pode dar o tempo o que he passado:
o tempo gaste bem todo o prudente
que se o tempo que gasta he bem gastado
todo o tempo passado tem presente.

…………….(Almanach Universal de Novidades para o anno de 1808)
.

 

13 comentários sobre “tempos do tempo

  1. bettips 22 Novembro, 2007 / 01:08

    Não abria a fotografia, há pouco (só com o tempo…). Uma belíssima mulher portuguesa, com certeza. Ternura, linda, de pôr num quadro e lembrar, sempre, sempre: o trabalho, o árduo, o paciente, o do tempo passado, o que nunca enriqueceu ninguém. O tempo, o que passa por nós com pés de pássaro: o tempo que gastamos a viver mal.
    Abç

  2. Gi 20 Novembro, 2007 / 19:57

    Vim aqui outravez deixar um pedido. Já andei por aí à procura e não encontro a origem da frase. “Quem não tem (ou sabe) que fazer, faz colheres”, por acaso conheces?

    antecipadamente grata deixo um beijinho

  3. The one you know 20 Novembro, 2007 / 17:13

    o tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem?
    O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.

  4. Metamorfose 20 Novembro, 2007 / 11:18

    O tempo que nos controla e nunca é suficiente para o que precisamos, um poema intemporal e actual.

    Beijinhos.

  5. JPD 19 Novembro, 2007 / 21:43

    «O tempo e o modo» já foi famoso entre nós.

    Um abraço

  6. pin gente 18 Novembro, 2007 / 00:07

    ai, o tempo… a falta dele… tem que ser aproveitado ao segundo…

    beijinho
    luísa

  7. Sophiamar 17 Novembro, 2007 / 22:12

    E o tempo que aqui passei já lá vai mas trouxe-me outra sabedoria.

    Beijinhosssss

  8. Justine 17 Novembro, 2007 / 18:24

    Gosto particularmente da frase por cima da foto da velha fiadeira

  9. un dress 17 Novembro, 2007 / 15:09

    o tempo é uma armadilha.

    e é continuidade.

    importante é que não deslize connosco dentro…como dizes, ausentes de sentido.

    abraÇo:)

  10. Gi 17 Novembro, 2007 / 02:33

    Um poema, pelos vistos
    in(tempo)ral …

    Um beijinho, bom fim de semana

    vai-se embora um tempo e outro tempo virá

  11. APC 17 Novembro, 2007 / 01:59

    Interessa mesmo só aquilo que fazemos com esta fatia tão pequena da eternidade. E o tempo não é (de) nada. É aquele que for, e não avisa.
    Tão querido, o poema centenário! 🙂

  12. Maria 16 Novembro, 2007 / 21:29

    E muito certo…
    “se o tempo que gasta é bem gastado, todo o tempo passado tem presente”…
    é isso mesmo…

    Abraço

  13. Maria Laura 16 Novembro, 2007 / 21:18

    Coisas aparentemente antigas. Só aparentemente porque o tempo é de sempre.

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