Tiago? Não!…

Com certeza que já ouviu falar em dois santos da Igreja Católica com o mesmo nome de Tiago: Tiago, conhecido por o Maior (ou mais velho), irmão de São João Evangelista, e Tiago o Menor (ou mais moço), também apóstolo. Certo?
Pois bem, na verdade e em bom rigor não existe algum santo assim chamado; mais do que isso: jamais existiu tal nome na onomástica antiga.
Então?…
Houve, sim, dois apóstolos cujo nome em latim era Jacohus ou Iacobus, que veio a dar em português e no espanhol lago, a par de Jacó, Jacob e Jacobo. Em francês, ele derivou para Jacques, e em inglês para James, forma esta que, curiosamente (e para outras conversas…) viria a dar origem à versão portuguesa do nome Jaime.
Sendo assim, como foi, então, que surgiu este Tiago?
A coisa é deveras curiosa. Mas, vamos a isso.
Quando o nome de um santo começa por consoante (salvaguardando raríssimas excepções, como Santo Tirso), cai a sílaba final (to) da primeira palavra da expressão (Santo para San ou São). Assim, p. ex., em vez de Santo Gregório, usa-se São (San) Gregório; em vez de Santo Martinho, São Martinho, e por aí fora.
Por outro lado, quando o nome do santo ou santa começa por vogal ou h, cai, (mas só na pronúncia),  a vogal terminal da primeira palavra da expressão, pronunciando-se, assim, SantOnofre, SantHelena, SantAna, embora se escreva, naturalmente, Santo Onofre, Santa Helena e Santa Ana, respectivamente.
Ora, dizer Santiago por Santo lago fez crer que se dera o primeiro fenómeno, a apócope do ‘to’ final, e que tal correspondia a um inexistente Santo Tiago.
E foi assim, a partir de um erro, que se deu origem a um falso nome (Tiago), ao cabo e ao resto, agora inteiramente enraizado na língua…
Não fiquem, agora, os Tiagos desiludidos!