três eram os reis…


Era hermosa la Padilla
Manos blancas e ojos negros
Causa de muchas desdichas
Y desculpa de más yerros
(ve
rsos de Quevedo)

No século XIV, na Península Ibérica, durante algum tempo, houve simultaneamente três reis de nome Pedro e, também, todos com o mesmo cognome. (não menos coincidente, também, o facto de todos eles terem o pai com o nome de Afonso…). Eram eles, então, Pedro I, de Portugal, Pedro IV, de Aragão e Pedro I, de Castela. Os três, também, deram particular relevo combater o poder e a influência da nobreza.

Pedro de Portugal e Pedro de Castela, fizeram reconhecer e coroar como rainhas as suas favoritas, depois de mortas: D. Inês de Castro e D. Maria de Padilla. Os dois reis morreram antes dos quarenta anos; o de Portugal aos trinta e o de Castela aos trinta e seis.

No entanto, os três, começaram a reinar ainda de menoridade: aos dezanove, o de Portugal; aos dezasseis, o de Castela, e aos dezassete, o de Aragão.

Diferem, enfim, no tempo de reinado: Pedro de Portugal reinou dez anos, o de Castela, dezanove e o de Aragão, cinquenta e um.

Todos eles foram cognominados com o título de Cruel.

Mas, por outro lado, também ficaram na História com o cognome de… Justiceiro.

Coincidênciasno lo sé, pero que las hay, hay!

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10 comentários sobre “três eram os reis…

  1. tinta permanente 8 Outubro, 2009 / 10:18

    Dulce
    Ainda bem, especialmente, que esta pequenina história de três reis, tivesse despertado memória para doce lembrança!
    abraços!

    elvira carvalho
    Coitado do aragonês, que ia ficando esquecido!…
    Grato por achar 'riquezas' as coisas poucas que por aqui há.
    abraços!

    MagyMay
    Cruel versus Justiceiro…
    Será, na verdade, assim tão interessante? A teia, para aranha, é a sobreviência, mas para a mosca? O que será?…
    abraços!

    Justine
    estórias da História, são como as cerejas! Não tarda, volto a elas…
    abraços!

    Violeta
    A casualidade sempre me faz lembrar uma afirmação de um antigo professor de História. Dizia ele que 'se o nariz de Cleópatra tivesse sido mais pequeno, toda a face da Terra hoje seria bem diferente'. Se calhar, por acaso…
    abraços!

    Baila sem peso
    Pois, já disse. Mas repito: gosto deste versejo, quase canto ao desafio, cantochão reinventado.
    Mesmo que só para três reis. Olha se fossem seis…
    abraços!

    mfc
    Há quem diga que não era bem assim…
    abraços!

    Humana
    Exactamente: eram espadas a que Quevedo se referia, nesse belissimo memorial. Quanto ao resto, convenhamos: o brutal exercício da crueldade, as mais das vezes, não precisa de pretexto algum, não é?…
    abraços!

    gaivota
    hay, seguro!…
    abraços!

    a todos os que por aqui passaram…
    agradeço o terem vindo.

  2. gaivota 7 Outubro, 2009 / 10:40

    si, que las hay, hay!!!!
    casualidades??? talvez!
    beijinhos

  3. Humana 5 Outubro, 2009 / 16:34

    sim, essas coincidências…não deixam de ser curiosas.
    bela era padilla e por ela mandou matar, o rei. (os ferros a que quevedo se refere, serão os ferros das espadas?)
    bela era inês de castro, e o seu rasto chega até nós e há-de continuar a sobreviver no tempo.mas
    na história de pedro e inês muitas possibilidades – mesmo as mais perversas – continuam em aberto.
    e eu pergunto-me se, tantas vezes, o amor não será pretexto para o brutal exercício da crueldade e da loucura.

    deixo um abraço.

  4. mfc 28 Setembro, 2009 / 10:25

    A esperança de vida ainda não era o que é hoje!

  5. Baila sem peso 26 Setembro, 2009 / 23:54

    Será que cruel tem de ser a justiça?
    Ou será que na justiça tem de haver crueldade?
    E em abono da verdade jovens eram esses reis
    Foram só três…olha se fossem seis?
    E de novo, Portugal e Castela
    Porque será que te lembraste dela?
    Inês é aquela história com Sol por Amor
    Em que Deus sustém a coroa como flor…
    Sempre bela (a lenda que Camões bem dizia)
    Como calculas, o melhor tema que eu sabia
    (De toda a nossa História…era uma vez…)
    O romance do amor de Pedro por Inês!!!
    A crueldade do Afonso IV fez nascer
    Das lágrimas de Inês, derramadas no Mondego
    A Fonte dos Amores, em algas vermelhas a ver
    Sangue da rainha coroada, em amargo sossego

    Sempre a recordar, sempre a aprender…

    Um beijo da cor do Sol que Deus no céu detém
    Num Outono, que a todos em coroa assenta bem!
    E bom domingo também!

  6. Violeta 26 Setembro, 2009 / 12:42

    Eis as casualidades que nunca tinha pensado.
    Bom fim de semana.

  7. Justine 25 Setembro, 2009 / 18:00

    Interessante esta estória da História, que eu nunca tinha notado. Só tu!
    Abraço

  8. MagyMay 25 Setembro, 2009 / 08:14

    Como sempre é um aprender ou um reavivar memórias ler os teus textos.
    Mas sabes o que neste me deixou uma marquinha?
    "Cruel, mas também … Justiceiro"
    Interessante, não??

    Abraço…grande

  9. elvira carvalho 24 Setembro, 2009 / 22:15

    Conhecia o nosso e o de Castela. Desconhecia o de Aragão.
    Fico sempre culturalmente mais rica quando aqui venho.
    Um abraço

  10. Dulce 24 Setembro, 2009 / 19:49

    Lembro-me que quando pequenina, å hora de contar histórias para suas filhas, meu pai falava embevecido de uma rainha que se chamara Inês, como minha mãe, que fora coroada depois de morta. E ficávamos minha irmã e eu orgulhosas porque nossa mãe tinha nome de rainha. Só bem mais tarde fui estudar a história de um Pedro que coroou sua Inês. E agora, lendo sua postagem, volto enternecida ao tempo de minha meninice… Obrigada, duplamente: pela lição de história e pela doce lembrança que ela me trouxe.

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