um hidroavião na ilha da Madeira

Faz hoje sessenta e dois anos (25 de Março de 1949) que se realizou a primeira viagem experimental, com o objectivo de estabelecer uma carreira aérea regular entre Londres e a Ilha da Madeira, com escala em Lisboa.
Mário Rosa, um dos passageiros do voo inaugural, enviado especial do lisboeta Diário de Notícias, a 29 do mesmo mês, relatava assim o acontecimento:
Pelas 13 horas do dia 25, amarou na enseada da Pontinha o poderoso hidroavião Short Hythe, da Aquila Airways, tendo feito uma magnífica viagem.
O aparelho voou ainda sobre Porto Santo, para estudo das condições locais, ainda fez o mesmo sobre as baías de Porto Cruz, Machico e Abra, na Ponta de S. Lourenço.
No trajecto de Lisboa ao Funchal, gastou cerca de quatro horas, sendo esse o tempo que se estima, mais ou menos, que será o período médio para este percurso.
Aguardavam-no milhares de pessoas em todo o litoral, manifestando bem o seu contentamento, pois esta nova carreira aérea representava um alto benefício para aquela formosa ilha. E não só para os madeirenses, mas também para os continentais, essas carreiras seriam da maior vantagem, agora regularizadas, estabelecendo assim uma comunicação mais fácil e rápida entre aquela nossa colónia e a metrópole.
A paisagem maravilhosa da Madeira, revelou aos primeiros turistas aéreos, numa visão inesquecível, os contrastes impressionantes da grandiosidade das suas negras e secas montanhas com a beleza verdejante e colorida das encostas e vales de tão amena tonalidade.
Pode afirmar-se que o melhor cartaz de propaganda da Madeira será, sem dúvida, o estabelecimento das carreiras aéreas regulares, não só pela rapidez e conforto dos aviões, como também pela possibilidade de se poder apreciar esse quadro único no mundo: uma ilha vista do céu.