vai para o diabo!…

A frase vai para o diabo, que se usa, com sentido depreciativo, em vários países, não teve, ao contrário do que poderá parecer, uma origem relacionada com o demónio ou qualquer outra coisa parecida. A história da evolução desta expressão – melhor dito, desta praga – parece ser esta:
Na Idade Média, havia em Londres, na Fleet Street, uma famosa taberna chamada The Diable and S. Dustan. Ignora-se por que razão tal estabelecimento se chamava assim, com o glorioso santo saxão a emparceirar com tão má companhia…
O facto é que até Sir Walter Scoot lhe faz bastantes referências nas suas obras. Com o andar dos tempos, instalaram-se à volta da taberna vários escritórios de advogados. E quando estes iam almoçar ou tomar uma bebida aquele local, era costume pôr à porta um cartão em que diziam aos clientes que os procurassem fui ao Diabo e S. Dustan. Mais tarde, com o uso e com o jeito peculiar dos ingleses para sintetizar tudo, passaram a indicar somente fui ao Diabo
A loja, no entanto, começou a ser mal frequentada e ir ao Diabo passou a ser tido como falta de decoro e respeitabilidade. Um advogado que fosse verdadeiramente um cavalheiro, por isso, não deveria ir ao Diabo. E, se lhe diziam que fosse lá, é porque o entendiam indigno de conviver com cavalheiros. A frase popularizou-se, passou para o continente e, mais tarde, o sentido alterou-se para o que tem hoje.
E quando não queremos que alguém nos incomode, mandámo-lo ir para o Diabo, sem termos a noção que este Diabo começou por ser uma simples taberna…
Coisas do Diabo…

 

 

 

 

(apanhou-se o diabo com botas, correu a vila toda)

21 comentários sobre “vai para o diabo!…

  1. M. 28 Fevereiro, 2008 / 18:31

    Cá vim eu aprender mais umas coisas…

  2. Ana Paula 28 Fevereiro, 2008 / 10:40

    Bem interessante! Desconhecia esta inspiração da expressão.
    Há coisas que não lembram ao Diabo, sem dúvida!
    Há coisas do Arco da Velha! :):)
    Sempre a aprender, por aqui…

  3. bettips 27 Fevereiro, 2008 / 23:04

    Entre a Taberna e Fleet Street, venha o diabo e escolha! Estou a lembrar-me do jornalismo, eventualmente mais no de cá…
    Um gosto de saber!

  4. samuel 25 Fevereiro, 2008 / 17:25

    Magnífico! Seria mais estranho se a expressão fosse “ir para os anjinhos”…
    Abraço

  5. Rui Caetano 23 Fevereiro, 2008 / 23:45

    São mesmo coisas do diabo. Um bom fim de semana.

  6. tolilo 23 Fevereiro, 2008 / 19:00

    ui…….
    não gosto nada do diabo.
    só gosto de anjinhos e côr de rosa
    Chuac!_

  7. ivone 23 Fevereiro, 2008 / 00:26

    “Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
    Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
    Assim, como sou, tenham paciência!
    Vão para o diabo sem mim,
    Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
    Para que havemos de ir juntos?”
    (Álvaro de Campos)

  8. Ana Ramon 22 Fevereiro, 2008 / 22:47

    Eu também cheguei aqui e lá aprendi uma coisa do diabo. Sabe sempre bem esbarrar com tanta informação
    Beijinhos

  9. elvira carvalho 22 Fevereiro, 2008 / 21:13

    Muito interessante. Realmente ignorava totalmente essa origem.
    Bom fim de semana
    Um abraço

  10. Ana 22 Fevereiro, 2008 / 00:43

    Todos los días se aprende algo nuevo.
    Besos

  11. Meg 21 Fevereiro, 2008 / 22:20

    Ainda não “digeri” os dias da semana e já cá está mais uma expressão que me deixa desconcertada. Quem, senão tu, para me esclarecer sobre a origem… deste “ir para o diabo”,
    Valeu a pena, aliás, como semore. vir cá.
    Um abraço

  12. Tiago Enes 21 Fevereiro, 2008 / 21:49

    O Blog tá muito legal!
    Bons posts!
    Parabéns!

  13. rendadebilros 21 Fevereiro, 2008 / 17:28

    Pois: pelo “Carolina”… claro, lá para outras bandas… O que andrias por lá a fazer?…
    O Rainha agora já não é o que era. Está lá a DREN ao que parece…
    Um abraço.

  14. un dress 21 Fevereiro, 2008 / 17:20

    curioso como sempre!
    lembrei-me dum conto delicioso do james joyce…
    …”o gato e o diabo”.
    .beijO

  15. Maria Luar 21 Fevereiro, 2008 / 16:26

    Uma taberna onde por certo se comia bem e bebia melhor. Há coisas que nem ao diabo lembram. Por que razão se teriam juntado o santo e pecador?
    Abraço
    p.s.Não queres aderir a um desafio meu? Só um? Vais dizer não já sei!

  16. rendadebilros 21 Fevereiro, 2008 / 14:33

    Li os mais recentes posts sempre cheios de curiosidades interessantes… às vezes, fico-me pela outra página e esqueço-me desta…
    Tudo cambada do seu tempo, lá para os lados do Porto por aquele tempo, pelo Rainha Santa Isabel, perto do Alexandre herculano…
    Abraço.

  17. Maria Laura 21 Fevereiro, 2008 / 12:23

    Esta nem fazia ideia. 🙂 Vou sempre daqui mais rica de saber. E de histórias deliciosas.

  18. Gi 21 Fevereiro, 2008 / 04:58

    Ó Diabo! Esta é novidade absoluta. Então e onde fica o resto da frase que tanto se utiliza “… que o carregue”, seria o taberneiro que os carregava quando tinham um grãozinho na asa?
    O culpado destas perguntas todas és tu, pões aqui o pessoal a a fazer viagens no tempo e no espaço e depois surgem as dúvidas. felizmente que não são existenciais 🙂 Um beijo e obrigada por mais este momento de sabedoria.

  19. APC 21 Fevereiro, 2008 / 02:12

    Sim, coisas que não lembram ao diabo, de facto! E tão bem explicadinho, que delícia! 🙂
    De resto, até que ponto não seriam os bares sentidos como espaços onde o melhor e o pior (em termos de valores cristão) se poderiam facilmente tocar?! Se formos a ver bem, funcionaria como uma espécie de alternativa às obrigações da rotina: a família esperava em casa, e o homem como que cometia uma espécie de pecadilho ao dar essa escapadela para conviver em tertúlia masculina, ou para beber descontraidamente, ou…!
    Lá estaria o diabinho, a digladiar-se com o santinho…! 🙂
    Um abraço grande!

  20. Maria 21 Fevereiro, 2008 / 02:01

    Desconhecia, em absoluto…..
    Aprendendo sempre, por aqui….

  21. Justine 20 Fevereiro, 2008 / 19:01

    Surpresa total, desta vez!
    E vejam bem a influência que um bar pode ter na nossa vida, ou pelo menos na nossa linguagem…

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