vira o disco e siga o baile…

baile no Clube dos Fenianos, no Porto, em 1931


É necessário que, de uma vez para sempre,

Portugal deixe de dar ao mundo a impressão de ser um grande manicómio.
(almirante Luís Magalhães Correia, ministro da Marinha, Abril de 1931)

Com o mundo e o país à beira de uma catástrofe de resultados imprevisíveis, Portugal vive os seus risonhos anos trinta, metido na Ordem e na Ditadura e, pelo que se via, contente com isso. Paredes meias com o vulcão em ebulição dentro de casa e além-fronteiras, os portugueses encolhem os ombros e sentem-se fortalecidos, descobrindo razões nos seus pergaminhos históricos cheios de grandeza e orgulho. Acreditam piamente que a sua pátria, diferente de todas as outras, é auto-suficiente e tem uma milagrosa capacidade auto-regeneradora que lhe advém da graça concedida pela Senhora de Fátima.
O responsável por tamanha ilusão chama-se António de Oliveira Salazar. De mago das Finanças ascende a primeiro-ministro da ditadura e, mais do que isso, a fundador e ideólogo de um novo regime: o Estado Novo. Se o intenso trabalho de persuasão e mentalização se mostra, aqui ou ali, insuficiente, recorre-se à repressão. A adesão das classes médias acaba por estabelecer a diferença, fazendo inclinar o pêndulo para o lado do regime. As nossas famílias não se interessam por política, apenas querem é Ordem e louvam-se da paz que o governo impusera a um país em desordem, concluía o propagandista do regime, António Ferro.
É Portugal agarrado à ilusão da sua felicidade, diria o aviador e autor do Principezinho, Antonie de Saint-Exupéry, espantado com o alheamento que encontra, em finais dos anos trinta, na sua passagem por Lisboa…