virote

Virote será uma das peças que compõem a balestilha (um instrumento de navegação, que serve para determinar a latitude; muito usado pelos portugueses de Quinhentos). O virote, que roda sobre o eixo principal, e a soalha são as peças essenciais deste instrumento.
Virote, continuando na linguística náutica, também pode referir cada uma das peças que, de alto a baixo, formam o remate de uma embarcação.
Virote numa espada é o ferro atravessado sobre os copos e que se estende, um pouco, para fora.
Em 1712, o Vocabulário de Português e Latim refere que segundo Duarte Nunes de Leão, havia tomado do latim Verutum, que quer dizer ferro longo e agudo, e entre nós virote também é seta curta, ou dardo, e se diz de várias castas de paus e ferros agudos.
Daqui não parece descabido achar a origem para pôr tudo num virote, a significar grande azáfama, agitação, imprimir velocidade a alguma coisa ou alguém, dizer olhar pelo virote quando se refere que é preciso cuidado, cautela ou precaver-se, e andar num virote a explicar uma desusada agitação, pressa ou muita ocupação. Da mesma forma que, genericamente, virote, a supor todo e qualquer tipo de arremesso, mais ou menos traiçoeiros ou, ainda, teso (duro) como um virote, a ver imitação ou conformidade com paus, ferros, varapaus, fueiros ou o que imaginar mais afim…
(Sempre se fartou a impiedade na inocência, que tão cheios vão os caminhos de virotes ouriçados, D. Francisco de Portugal em Prisões e Solturas, 1709)
Neste virote de postulados e sugestões é só escolher.

 

 

 

(de rabo de porco nunca é bom virote)

6 comentários sobre “virote

  1. jorgesteves 19 Setembro, 2019 / 09:39

    Ainda há uma ou outra expressão que não mencionei por terem uma aplicação restrita ao calão. Já lhe enviei resposta sobre a questão que coloca.
    Abraço.
    jorge

  2. jorgesteves 19 Setembro, 2019 / 09:31

    Enquanto for enquanto, de vez ‘enquanto’ apareço.
    Abraço.
    jorge

  3. jorgesteves 19 Setembro, 2019 / 09:29

    De um modo ou outro, todos (ou quase todos…) andamos num virote.
    Exageros, Teresa, exageros.
    Abraço.
    jorge

  4. Fernando Aguiar 18 Setembro, 2019 / 18:47

    Já tinha chegado ao ferro da copa nas espadas. O resto foi tudo uma agradável aprendizagem, meu caro.
    Já agora, corri “Seca e Meca” para comprar o livro e não o encontro, aqui por Lisboa. Pode dizer-me onde o encontro. Obrigado, meu amigo.
    Abraço.

  5. Margarida 9 Setembro, 2019 / 19:53

    Eu sei que andas num virote por ouros lados, mas ainda bem que vais aparecendo por estas bandas. Fazes falta!
    beijo

  6. tb 9 Setembro, 2019 / 18:39

    Às vezes ando num virote. 🙂
    As coisas que tu sabes e nos ensinas!
    Beijo de gostar.

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